Já ouviu falar em Parto Humanizado?

“Virou moda”. Acusam alguns. Não apenas no ramo da saúde, mas, infelizmente, em várias esferas do conhecimento vemos que algumas coisas foram tão alteradas e invertidas que o que é natural passa a ser visto como “moda” ou anormal.

É o que aconteceu com o parto normal. Se fosse possível voltar no tempo e conversar brevemente com alguma antiga parteira ou se falarmos com alguém da família que teve muitos filhos, elas muito provavelmente diriam que ter um parto normal, sem intervenções, em casa, era a coisa mais normal do mundo.

Mas as coisas mudaram. A cesárea que nasceu na medicina para intervir em casos especiais, quando as mulheres realmente não poderiam parir naturalmente por alguma condição muito específica e para salvar vidas, foi substituindo, pouco a pouco, o parto normal até ser feita sob agendamento na grande maioria das vezes sem indicação real.

Os dados não mentem: o Brasil é um dos países com as maiores taxas de cesárea do mundo e também com uma das maiores taxas de mortalidade materna após o parto.

Enquanto países considerados de primeiro mundo como França, Inglaterra e Japão têm taxas de 7 mortes de mulheres após o parto (de bebês nascidos vivos) a cada 100.000 partos, a taxa é dez vezes maior aqui no Brasil: 70 para cada 100.000.

Segundo o Dr Jorge Kuhn, médico especialista em ginecologia e mestre em obstetrícia, Fellowship em Medicina do Parto pelo hospital da Universidade Livre de Berlim, Alemanha, e professor Assistente do Departamento de Obstetrícia da EPM (Escola Paulista de Medicina) e Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a grande maioria dos partos terminam em cesárea por falta de paciência. Por falta de saber esperar o corpo da mulher agir sozinho e no momento certo para que o bebê nasça.

O dr explica que motivos como diabetes gestacional, pressão alta ou até mesmo quando há mecônio (quando o bebê faz cocô na barriga) não significam motivos reais e absolutamente necessários para cesárea, mas que são indicados quase sempre para a cirurgia.

Humanizado equivale a um parto respeitoso. Que acredita que a fisiologia do corpo naturalmente vai fazer com que o bebê nasça, no tempo dele, na hora certa. E que a mulher, a mãe, seja protagonista deste momento, e não a equipe médica. E, ainda, caso seja necessária a cesárea, que seja feita com muito respeito.

Num parto humanizado mesmo que haja necessidade de intervenções para o bem-estar da mãe e do bebê, esses procedimentos são feitos com respeito e informação à mãe para ela esteja sempre tranquila e segura em relação a todo o trabalho de parto.

O parto é um momento que não pode ser substituído por nenhum outro. Ainda que a mulher tenha mais filhos. E é muito importante que ela possa ter direito de viver este momento da maneira mais natural possível.

Ademais, as taxas de mortalidade não incluem um importante indicador: há muitos bebês que nascem prematuros já que os exames de ultrassonografia não são exatos em relação à idade gestacional ocorrendo, muitas vezes, do bebê nascer abaixo do peso e com alguma necessidade especial.

O parto natural é também conhecido como “parto Loboyer”, um obstetra francês que criou procedimentos para tornar o parto o menos violento possível. É por isso que um parto é considerado humanizado quando ele dá a mulher as melhores condições de assistência, sobrevivência, seguindo as Normas Técnicas e recomendações do Ministério da Saúde, permitindo o contato entre mãe e bebê imediatamente após o parto e com direito a um acompanhante durante todo o período de internação.

Há muito procedimentos invasivos e que são feitos, muitas das vezes, sem que a mulher entenda do que se trata e o porquê das intervenções. É o caso do uso do hormônio ocitocina para acelerar a dilatação do colo do útero (causando dores às vezes insuportáveis), episiotomia (o corte que faz no períneo para que o bebê passe mais rapidamente), até a cesárea sem indicação real.

Uma cesárea pode ser humanizada se, acima da vontade e disposição do médico, do ganho financeiro da preocupação com o tempo, a vida e a saúde da mãe e do bebê sejam prioridades.

Mulheres que passam por cesárea precisam, inclusive, esperar mais para engravidar novamente por conta dos riscos de ruptura uterina, risco que aumenta a cada cirurgia de cesárea realizada, o que interfere, inclusive, na quantidade de filhos que a mulher pode ter com segurança.

É por essas e outras (que voltaremos a falar) que parto humanizado é respeito. Respeito ao corpo, à mulher, ao bebê e ao tempo. Comprovadamente mais seguro para ambos. A história e a medicina atestam e, por isso, a última qualidade que deveria ser atribuída ao parto humanizado é “modismo”. Porque se tem algo que ultrapassa qualquer moda momentânea é a vida humana e o modo natural dela acontecer.

Leia também: 6 mitos sobre o desfralde de meninos e meninas

Fonte: Alpha Saúde

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